Falta de qualificação profissional ainda é entrave para quem procura emprego
A falta de qualificação profissional ainda é um dos entraves para quem procura emprego. A conclusão consta do Anuário do Sistema Público de Emprego e Renda 2008, divulgado na quarta (29) pelo Dieese (Departamento Intersindical de EstatÃsticas e Estudos Socioeconômicos) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo o diretor técnico do departamento, Clemente Ganz Luz, estima-se que há no Brasil 18 milhões de desempregados e, desses, 4,5 milhões procuraram o Sine (Sistema Nacional de Emprego) no ano passado para buscar uma colocação no mercado de trabalho. Dos 2 milhões de vagas ofertadas, apenas 800 mil foram preenchidas em 2007.
“Há de fato, ainda, o problema da qualificação, de defasagem do trabalhador e a oferta feita pela empresa. Predominam as ofertas nas áreas de serviços auxiliares, apoio, ajudantes. Muitas vezes, é demandado um alto nÃvel de qualificação para um trabalho que não exige tal qualificação”, reconheceu.
De acordo com o anuário, dos inscritos, 65% têm entre 20 e 40 anos; menos da metade tem o segundo grau completo; 48% são desempregados; 33% são requerentes do seguro desemprego e 5% procuram o primeiro emprego. Dos que conseguiram um emprego por meio do Sine, 60% têm entre 20 e 40 anos e 43% têm o segundo grau completo. Das vagas de trabalho ofertadas pelo Sine, em 32% exigiam o segundo grau completo e em 20%, o primeiro grau.
Ganz disse ainda que, no Brasil, hoje, há 90 milhões de pessoas com algum tipo de ocupação de trabalho e, desse total, 39 milhões têm carteira assinada e cerca de 70% dos que têm carteira assinada recebem até 3 salários mÃnimos.
Outra questão também apontada por Ganz foi a rotatividade de empregos que ele atribuiu à flexibilidade do mercado brasileiro. “Há total liberdade de demissão e contratação pelas empresas. Simultaneamente a isso, nos anos 1990 e, principalmente, nos primeiros anos da década de 2000, a rotatividade foi usada como forma de reduzir os salários. As empresas demitiam com um salário e contratavam um trabalhador por outro salário mais baixo”, explicou.
Outro fator que justifica essa rotatividade é o fato de as empresas estarem sempre ajustando a demanda de produção à contratação e à demissão de trabalhadores, principalmente daqueles que são ajudantes, auxiliares e assistentes.
Dos trabalhadores com carteira assinada, 51% foram demitidos sem justa causa e por iniciativa do empregador e 31% por causa do término do contrato de trabalho.
(Roberta Lopes)Â UOL